Almonaster la Real, 24 de maio de 2025 – No coração da Serra de Aracena e Picos de Aroche, a localidade de Almonaster la Real foi palco de uma jornada de trabalho que reuniu administração pública, universidades, operacionais de emergência, associações, empresas locais e comunidade local em torno de uma pergunta urgente: “O que podemos fazer para prevenir os incêndios florestais?”
A atividade, organizada no âmbito do projeto FIREPOCTEP+, tornou-se um espaço de reflexão coletiva sobre uma realidade que já não permite passividade: os incêndios florestais são cada vez mais intensos, frequentes e difíceis de controlar. A combinação das alterações climáticas, o abandono do território e a perda dos usos tradicionais da floresta transformaram o que antes era uma emergência pontual numa ameaça estrutural para o meio rural, a biodiversidade, a economia e a segurança das pessoas.
Território e prevenção: protagonistas da jornada
A jornada teve início com as palavras de boas-vindas do vereador do Ambiente, Ángel López Ortega, e do diretor do Centro Operacional do INFOCA em Huelva, Alejandro López Quintana. A seguir, as universidades parceiras do projeto partilharam os avanços alcançados nas suas respetivas áreas de trabalho.
Da parte da Universidade de Huelva, Juan Manuel Domingo destacou a importância do ordenamento e planeamento florestal. Pela Universidade de Vigo, Juan Picos reforçou a participação ativa dos agentes locais nas zonas estratégicas de gestão. Juan Carlos Giménez, da Universidade da Extremadura, apresentou o conceito de corta-fogo produtivo como ferramenta inovadora de prevenção. Por fim, Juan Ramón Molina abordou a importância da identificação de pontos estratégicos de gestão como base para uma atuação eficaz.
Seis mesas temáticas, uma visão partilhada
O centro da jornada foi uma dinâmica participativa organizada em seis mesas temáticas, cada uma centrada num eixo estratégico:
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Gestão integrada de ecossistemas e prevenção
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Revitalização e proteção do meio rural
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O papel do fogo na gestão do território
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Comunicação e sensibilização ativa
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Formação e capacitação na extinção
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Cenários futuros e adaptação às alterações climáticas
Os participantes — representantes políticos, técnicos, moradores, associações e profissionais do território — foram distribuídos por grupos heterogéneos, o que favoreceu uma rica troca de ideias. Em cada mesa foram identificados problemas-chave, assim como soluções de curto e longo prazo, numa aposta clara na ação concreta.
Como resultado, será elaborado um documento de síntese com as propostas e contributos surgidos durante os debates, que será incorporado ao desenvolvimento do projeto FIREPOCTEP+.
Visita de campo e práticas de gestão florestal
Após o almoço na área recreativa de La Escalada, a poucos quilómetros do centro urbano, a jornada continuou com uma visita de campo conduzida por membros do operativo INFOCA. Os participantes puderam observar trabalhos silvícolas de poda, limpeza e desbaste, bem como uma queima controlada, com explicações detalhadas sobre os objetivos e critérios técnicos de cada intervenção.
Um caminho partilhado com o território
A participação ativa dos atores locais foi um dos pilares desta jornada. Desde o início, a Junta de Andaluzia trabalhou para garantir que câmaras municipais, associações de agricultores e criadores, empresários e habitantes do território soubessem que o projeto conta com eles e precisa da sua colaboração.





